Yasser Arafat: um perfil do líder palestino

Yasser Arafat é uma das personalidades políticas mais importantes envolvida no conflito árabe-israelense. Sua trajetória de luta para a formação de um palestino perdura por cerca de 40 anos.

Yasser Arafat

Por Jéssica Naime


Yasser Arafat, chefe da Autoridade Palestina (AP), luta, há cerca de 40 anos, pela formação de um Estado autônomo na região da Palestina. Tido como um líder de pulso forte, com traços de autoritarismo, manteve centralizadas sob seu comando as decisões acerca da discussão sobre a formação de um Estado palestino, recusando-se a delegar poder a outros líderes do movimento.

Alguns de seus biógrafos concordam com o fato de que Arafat não tem de fato uma ideologia política definida. Acreditam que o líder palestino percebe o movimento como uma série de desafios táticos a serem superados, não apresentando, assim, nenhuma estratégia central. Arafat intitulava-se um revolucionário, mas estudiosos dizem não haver nenhum traço de transformação social na sua percepção de mundo. O líder palestino não seria um adepto da visão marxista da luta entre classes, nem da visão islâmica de uma boa política, e nem mesmo de um verdadeiro nacionalismo revolucionário. Arafat tem uma visão simplista da luta palestina. Acreditaria apenas na superioridade das reivindicações de seu grupo, e que deveria então combater os usurpadores de sua causa, posicionando-se como uma espécie de mártir.

Não há muitos dados concretos sobre sua vida privada, e Arafat parece não fazer muita questão expô-la. Seu casamento com a palestina Suha Tawil, do qual tiveram uma filha, Zahwa, foi mantido em segredo por cerca de quinze meses.

Seu nome de batismo é Mohammed Abdel-Raouf Arafat As Qudwa al-Hussaeini. Apesar de divergências acerca de seu verdadeiro local de nascimento, declara ter nascido em Jerusalém, em 24 de Agosto de 1929, mudando-se para o Cairo com sua família ainda quando criança e lá formando-se engenheiro na Cairo University Faculty of Engineering em 1956. Participou de movimentos estudantis palestinos ainda no Egito, chegando a servir voluntariamente no exército egípcio durante a crise do Canal de Suez.

Iniciou sua carreira como engenheiro no Kwait e, em 1959, fundou o grupo Fatah, que representa hoje uma das principais facções da Organização para Libertação da Palestina (OLP). A Organização foi formada em 1964, com o respaldo da Liga Árabe, que abarcava um grande número de grupos que lutavam para a libertação da Palestina, dentre eles o Fatah. O grupo emergiu como o mais poderoso dentro da organização frente à ameaça israelense após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. a partir de então o Fatah passou a liderar a OLP, e Arafat se tornou o presidente do Comitê Executivo da organização. Desta forma, consolidou-se entre os palestinos como uma força política importante na defesa de seus interesses.

Arafat é bastante recriminado por utilizar a violência como arma política. É acusado de liderar ataques terroristas contra civis israelenses, e de utilizar artifícios questionáveis para consolidar sua liderança no movimento palestino. Apesar disso, possui apoio de grande parte da população palestina, que vê no líder uma saída para a disputa por territórios com Israel.

A luta armada pregada por Arafat deve ser compreendida como um produto do contexto onde surgiu o movimento. A luta armada seria a maneira que a baixa classe média urbana encontrou de manifestar suas reivindicações, consolidando o nacionalismo palestino urbano.

Questiona-se seu compromisso com a aceitação da existência do Estado de Israel, posição que ele só adotou em 1988. Até então, a posição da OLP era de não-aceitação da existência de Israel. Segundo alguns críticos, apesar do reconhecimento de Israel por Arafat, este não teria mudado de fato sua percepção acerca do conflito. Analistas afirmam que, apesar disso, a ideologia da população palestina sofreu mudanças ao longo dos últimos 25 anos. A maior delas seria a alteração entre a defesa da formação de um Estado palestino no lugar do Estado de Israel para a consolidação de um Estado palestino que coexista ao lado dos territórios israelenses.

O apoio do povo palestino às ações de Arafat sofre variações ao longo do tempo. Analistas acreditam que o suporte dado a Saddam Hussein, em suas pretensões expansionistas na Guerra do Golfo no início dos anos 90, possa ter minado a confiança do povo palestino em Arafat, uma vez que o presidente iraquiano realizava uma incursão militar contra o Kwait.

Tal apoio na época teve um alto custo político: a maioria dos países árabes se opunha à investida de Saddam Hussein e considerando que estes eram os maiores financiadores da OLP, o movimento teve sua fonte de renda cortada, afastando os fortes aliados que contribuíam para sua força de ação.

Em fins década de 90, recusou um tratado de paz proposto pelo governo israelense, na figura do então presidente Ehud Barak. O acordo não previa uma solução para a volta dos refugiados palestinos, além de não abordar o impasse acerca do status da cidade de Jerusalém.

As negociações iniciadas em Oslo, em 1993, trouxeram para a comunidade palestina esperança na consolidação de um Estado próprio. Yasser Arafat e o então primeiro-ministro israelense Yitzak Rabin aproximaram as negociações de um final conciliatório entre as partes, o que lhes rendeu o prêmio Nobel da Paz em 1995.

O processo de construção da paz iniciado em Oslo previa suporte para o estabelecimento de eleições palestinas, e em 1996, Arafat foi eleito presidente da Autoridade Palestina, imprimindo mais uma vez um estilo autoritário de governo.

Contudo, a série de acordos do processo de paz foi perdendo sua efetividade na medida em que cláusulas foram desrespeitadas. Analistas acreditam que Arafat e Rabin perderam uma grande oportunidade de estabelecer um acordo de paz na região a partir do processo iniciado em Oslo, reduzindo, assim, em parte, o apoio dos palestinos a Arafat.

BC NEWS
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Foreign Affairs
Folha de São Paulo
Palestinian Academic Society for the Study of International Affairs
Site oficial do Prêmio Nobel




 Escrito por Rubens às 16h41
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